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Gorduras

Azeite

Também buscado comoazeite de olivaazeite extra virgem
6 crenças checadas:3 mitos2 dependes1 verdade
O que dizem

Azeite não engorda porque é gordura boa

Mito

O que a ciência mostra

Azeite tem 884 a 900 kcal por 100 g, cerca de 120 kcal por colher de sopa, nas duas tabelas oficiais. É uma gordura com benefícios, mas conta calorias como qualquer óleo.

Força da evidência

Alta (2 tabelas oficiais)

3 fontes
  • Tabela
    NEPA/UNICAMP. Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO), 4ª ed. revisada e ampliada, 2011.
  • Tabela
    Universidade de São Paulo (USP), Food Research Center (FoRC). Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TBCA), versão 7.2, 2023.
  • Estudo
    Hall KD et al. Energy balance and its components: implications for body weight regulation. Am J Clin Nutr, 2012.
O que dizem

Azeite não pode ir ao fogo porque fica tóxico

Mito

O que a ciência mostra

O azeite extra virgem resiste bem ao aquecimento de cozinha, inclusive melhor que outros óleos vegetais em testes de fritura, e não gera compostos preocupantes no uso doméstico. Ele perde parte dos compostos fenólicos com o calor, então o benefício máximo aparece cru.

Força da evidência

Moderada (estudos laboratoriais)

4 fontes
  • Estudo
    Casal S et al. Olive oil stability under deep-frying conditions. Food Chem Toxicol, 2010.
  • Estudo
    Castillo-Luna A et al. Deep frying in extra-virgin olive oil: influence of the type of food and breading on the degradation of phenolic compounds. J Agric Food Chem, 2026.
  • Estudo
    De Alzaa F, Guillaume C, Ravetti L. Evaluation of chemical and physical changes in different commercial oils during heating. Acta Sci Nutr Health, 2018;2(6). (estudo financiado por produtor de azeite)
  • Estudo
    Abrante-Pascual S et al. Vegetable oils and their use for frying: a review of their compositional differences and degradation. Foods, 2024.
O que dizem

Azeite reduz inflamação

Verdade
efeito modesto

O que a ciência mostra

Meta-análises de ensaios mostram que o azeite reduz um pouco marcadores de inflamação, como a PCR e a IL-6, e melhora a função dos vasos. No estudo PREDIMED, mais azeite extravirgem se associou a menos doença cardiovascular. É efeito modesto e vem do padrão alimentar, não de uma colher isolada.

Força da evidência

Alta (meta-análises + ECR grande)

3 fontes
O que dizem

Azeite lampante é veneno

Mito
com os dados disponíveis

O que a ciência mostra

Lampante é a classificação do azeite virgem com acidez acima de 2%, e pela norma brasileira ele não pode ir direto para a alimentação humana, só depois de refinado. Na análise de agosto de 2026, o MAPA classificou como lampante lotes de duas marcas e disse que os resultados são preliminares e que as informações disponíveis dizem respeito apenas à classificação, sem indicar risco à saúde pública por si só. A restrição da norma é ao uso direto na alimentação, e o MAPA não apontou toxicidade.

Força da evidência

Moderada (norma + posição oficial preliminar)

Onde as fontes divergem

O MAPA diz que o resultado é preliminar e não indica risco à saúde por si só. O MPF e os produtores nacionais alertam para risco à saúde com azeite deteriorado. Um lado fala de classificação, o outro de risco, e o desfecho depende das contraprovas.

3 fontes
  • Órgão
    MAPA. Instrução Normativa nº 1, de 30/01/2012 (Regulamento Técnico do Azeite de Oliva e do Óleo de Bagaço de Oliva).
  • Checagem
    CNN Brasil. Azeites vendidos como extravirgem não atendem à classificação, aponta Mapa. Agosto de 2026.
  • Checagem
    Itatiaia. Azeite extravirgem importado: além do Ibraoliva, CNA pede investigação ao Mapa. 2026.
O que dizem

Todo azeite vendido como extravirgem é extravirgem

Depende
do lote e da marca

O que a ciência mostra

Pela norma brasileira, o extravirgem precisa ter acidez de até 0,8% e ser livre de defeitos sensoriais. Na análise do MAPA divulgada em agosto de 2026, lotes de seis marcas vendidas como extravirgem foram classificados como virgem e lotes de duas como lampante, mas o resultado é preliminar, vale para os lotes analisados e as marcas têm direito a contraprova. A literatura científica trata há anos da adulteração do azeite extravirgem com óleos mais baratos. O rótulo não garante a classificação do lote.

Força da evidência

Moderada (norma + relatório oficial preliminar + revisão)

3 fontes
  • Órgão
    MAPA. Instrução Normativa nº 1, de 30/01/2012 (Regulamento Técnico do Azeite de Oliva e do Óleo de Bagaço de Oliva).
  • Checagem
    CNN Brasil. Azeites vendidos como extravirgem não atendem à classificação, aponta Mapa. Agosto de 2026.
  • Estudo
    Frankel EN. Chemistry of extra virgin olive oil: adulteration, oxidative stability, and antioxidants. J Agric Food Chem, 2010.
O que dizem

Azeite em garrafa de plástico é igual ao de vidro

Depende
da luz e do oxigênio

O que a ciência mostra

O que degrada o azeite é a luz e o oxigênio. Em garrafas fechadas expostas à luz, a vitamina E do azeite caiu entre 22 e 35% até o azeite ser branqueado. Num estudo de 10 meses com azeite Picual, as garrafas de vidro transparente e de vidro opaco se deterioraram mais rápido que as de plástico e as latas, por exposição maior à luz. Em garrafas de vidro, garrafa meio vazia oxidou mais, por ter mais oxigênio. O material pesa menos do que a proteção contra luz e ar.

Força da evidência

Moderada (estudos de armazenamento em laboratório)

Onde as fontes divergem

Os estudos mostram que a luz e o ar decidem, não o material em si. O estudo de 10 meses achou melhor desempenho do plástico que do vidro transparente e do opaco. Outros mostram a vitamina E caindo mais rápido com luz e oxigênio, em qualquer garrafa.

3 fontes
  • Estudo
    Psomiadou E et al. Stability of virgin olive oil. 2. Photo-oxidation studies. J Agric Food Chem, 2002.
  • Estudo
    Martín-Tornero E et al. Fluorescence Monitoring Oxidation of Extra Virgin Olive Oil Packed in Different Containers. Molecules, 2022.
  • Estudo
    Rastrelli L et al. Rate of degradation of alpha-tocopherol, squalene, phenolics, and polyunsaturated fatty acids in olive oil during different storage conditions. J Agric Food Chem, 2002.